Nesta
reflexão bíblica, igual à ovelha, também vou “fugir” às interpretações
“acadêmicas” e ao contexto histórico da passagem do Bom Pastor. Simplesmente,
quero partilhar com vocês uma inquietação que nasce quando leio, falo e escuto
essa passagem (Jo 10; Sl 22). As características do Bom Pastor e sua particular
misericórdia não são alheias ao nosso entendimento e experiência. No entanto,
você já parou para refletir sobre o ponto de vista da ovelha?Apresentação
Apresentação
O Espírito Santo insufla a cada dia no coração de homens e mulheres o desejo pela santidade. Várias são as formas de corresponder a estas inspirações. Uns pelo caminho da contemplação, outros pelo caminho da ação, outros enfim, pelos caminhos da orientação e formação humano-espiritual do coração humano. No entanto, todas as vias são a busca de uma resposta ao chamado de Cristo, que diz: “Vem e segue-me”.
Assim, a santidade consiste numa resposta de amor à “Aquele que nos amou por primeiro” (I Jo. 4, 10).
Finalidade
Este blog tem com meta manter um grupo de Amigos espirituais unidos num só coração e numa só alma, amando, conquistando e apascentando o coração ferido dos jovens e de todos os homens.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
A OVELHA FUJONA
Nesta
reflexão bíblica, igual à ovelha, também vou “fugir” às interpretações
“acadêmicas” e ao contexto histórico da passagem do Bom Pastor. Simplesmente,
quero partilhar com vocês uma inquietação que nasce quando leio, falo e escuto
essa passagem (Jo 10; Sl 22). As características do Bom Pastor e sua particular
misericórdia não são alheias ao nosso entendimento e experiência. No entanto,
você já parou para refletir sobre o ponto de vista da ovelha?
Um pastor
possui cem ovelhas e uma delas se extravia” (Mt 18, 12). O que levaria a ovelha
a deixar o grupo e seguir sozinha? É possível que seja o instinto de conhecer,
a curiosidade de saber o que há além da montanha, das árvores, do caminho
estabelecido e delimitado. Talvez ela queira ser independente, sinta-se
responsável por si própria e não controle seu espírito aventureiro. Quer
descobrir e procurar sem pedir permissão. Afasta-se do grupo e anda solta,
livre e autônoma. Ela não tem más intenções, só quer caminhar por si própria.
Não acha necessário fazer o que todas fazem. Ela decide escapar e vai embora. É
uma ovelha “corajosa”!
Mas,
e quando anoitece? Onde estão o pasto verdejante, as águas refrescantes, o
grupo, o pastor e seu cajado? (Sl 22). Diante do perigo, percebe a conseqüência
de sua escolha. As ovelhas têm que enfrentar, responsavelmente, sua iniciativa.
Seu coração bate forte porque sente medo. No silêncio, sente sede, fome, frio,
solidão. Vem a saudade, deseja voltar, mas não conhece o retorno. A única coisa
que fica, além das novas experiências, é descobrir sua essência como ovelha:
viver em grupo. Por ser uma animal sem mecanismos individuais de defesa, no
rebanho encontra sua proteção. Nesse espaço é doce e carinhosa. Precisa de
toque e do contato físico, sendo capaz de experimentar e manifestar emoções.
Desenvolve íntimos laços de relacionamento, não só com sua espécie, mas também
com as pessoas próximas.
No
“vale de trevas”, a ovelha escuta e reconhece a voz do pastor (Jo 10, 3-4). Ele
consegue achá-la! (Mt 18, 13). Toma-a nos braços e se alegra imensamente.
Permita-me sugerir que a alegria do pastor não esteja no tamanho do rebanho:
reunir as cem ovelhas e mantê-las sob controle. Ele festeja a maturidade de uma
ovelha que é capaz de tomar decisões e executá-las. De enfrentar perigos. O
pastor descobre na ovelha sinais de liderança, aprendidos ao observá-lo como
exemplo. Entre a ovelha e o pastor surge uma cumplicidade!
Pense
no retorno da ovelha. Se falasse, diria: “perdi-me por ser curiosa, mas
descobri que só quero os braços amorosos do pastor”. Nessa história não só se
festeja o encontro, mas também a autonomia da ovelha, seu crescimento, e a
compreensão de um pastor que, sem julgar, respeita a liberdade.
O
que esse ponto de vista tem a nos ensinar? Varias vezes temos medo de fazer
coisas diferentes, a que não estamos acostumados. Temos medo da reprovação, de
seguir a intuição, de errar e ter de assumir as conseqüências de nossas
escolhas, pois até mesmo o erro é uma boa oportunidade para aprender. Mas, se
você não arrisca, também não conquista nada.
Quanto
ao pastor, o que dele podemos aprender? Ele não condena, não julga, não sanciona,
não pune. Ele abraça, ama, se alegra, festeja. É afetivo como a ovelha. A
ovelha se alegra porque está de volta ao aconchego do pastor e do rebanho.
Volta para casa, para a tarefa e para a convivência pacifica. O pastor fornece
tudo o que a ovelha necessita para recuperar a sua essência, enquanto a ovelha
traz alegria ao pastor de encontrar um “filho” perdido. Um faz parte do outro,
um precisa do outro: ovelha e pastor se completam.
Retirado da: Revista Ave Maria – ano 113 – julho 2011 - pág. 18-19
Por: Ângela Cabrera, op
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