Apresentação

Apresentação

O Espírito Santo insufla a cada dia no coração de homens e mulheres o desejo pela santidade. Várias são as formas de corresponder a estas inspirações. Uns pelo caminho da contemplação, outros pelo caminho da ação, outros enfim, pelos caminhos da orientação e formação humano-espiritual do coração humano. No entanto, todas as vias são a busca de uma resposta ao chamado de Cristo, que diz: “Vem e segue-me”.

Assim, a santidade consiste numa resposta de amor à “Aquele que nos amou por primeiro” (I Jo. 4, 10).

Finalidade

Este blog tem com meta manter um grupo de Amigos espirituais unidos num só coração e numa só alma, amando, conquistando e apascentando o coração ferido dos jovens e de todos os homens.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Amigos

São Vicente de Paulo encontrou no coração de São Francisco de Sales o lugar para viver uma bela amizade; amizade esta que os levou aos mais altos cumes da santidade. A amizade é um dos elementos da espiritualidade Salesiana, uma amizade fundada no amor de Deus.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Tua Cruz

TUA CRUZ
A Sabedoria eterna de Deus, desde o princípio, previu a Cruz que Ele te envia do fundo do seu coração, como um presente precioso! Antes de enviá-la a ti, Ele contemplou-a com seus olhos oniscientes! Meditou-a com seu divino intelecto!
Examinou-a à luz da sua sábia justiça! Deu-lhe calor, apertando-a nos seus braços carinhosos! Suspendeu-a com as duas mãos, talvez não fosse de um milímetro demasiado longa ou de um miligrama demasiado pesada!
Depois abençôo-a no seu Santíssimo Nome, cobriu-a do bálsamo da sua graça e do perfume da sua consolação! Enfim, ainda olhou para ti; confiou na tua coragem...
Por isso é que a cruz vem a ti do céu, como uma visitação do Senhor! Como uma esmola do seu amor misericordioso!
São Francisco de Sales

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"A quem a Deus não basta, nada lhe basta". (São Francisco de Sales)

Eficacia da paciência

"Nada te pertube, nada te amedrontes, tudo passa.
Apaciência tudoalcança.quem tem a Deus nada lhe falta.
Só Deus basta".

sábado, 4 de dezembro de 2010

ESCRITOS DE SÃO FRANCISCO DE SALES


 A prática da Paciência

“A paciência é necessária para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que Ele prometeu”, diz o Apóstolo (Hb 10,36); sim, porque, como tinha dito o Salvador: “é permanecendo na paciência que ireis ganhar a vida” (Lc 21,19). No ganhar a vida, é que consiste o sumo bem do homem; e quanto mais perfeita é a paciência, tanto mais perfeitamente ganharemos nossas vidas.

Não limites tua paciência a esta ou àquela espécie de injúria e aflição, mas estende-a universalmente a todas que Deus te mandar e permitir que te aflijam. Há alguns que não amam a tribulação, mas a honra que dela deriva! O que tem verdadeira paciência e serve a Deus suporta tanto as tribulações ignominiosas quanto as honrosas. Ser desprezado, advertido e acusado por pessoas más é coisa suave para um homem corajoso; mas ser advertido, acusado e maltratado por pessoas de bem, por amigos, parentes, isto é belo.

Muito freqüentemente acontece que duas pessoas de bem, ambas com boa intenção, se persigam tenazmente e combatam uma contra a outra por causa de opiniões diferentes. Sê paciente, não só nas aflições mais graves e principais que te advirão, mas também nas pequenas questões acessórias e nos acidentes que daí derivam. Muitos sofreriam de boa vontade o mal, contanto que não fossem incômodos.

Lamenta-te o menos que puderes das coisas erradas que te acontecerem; porque é certo que, geralmente, quem se lamenta peca, no sentido que o amor próprio nos faz ver as injúrias sempre maiores do que são; mas sobretudo não faças tuas lamúrias com pessoas fáceis de indignar-se e pensar mal. Se fosse mesmo necessário lamentar-se contra alguém, ou para remediar uma ofensa, ou para acalmar o ânimo, faze-o com pessoas tranqüilas e que amam profundamente a Deus; porque de outro modo, em vez de consolar o teu coração, elas levantariam nele inquietudes maiores; em vez de tirar o espinho que purge, o enfiariam mais profundamente no pé.

O paciente verdadeiro jamais se lamenta do seu mal, nem deseja que outros o façam; dele fala com singeleza, com verdade e simplicidade, sem lamentar-se, sem queixar-se, sem aumentá-lo.

(Texto retirado da Obra Clássica, FILOTÉIA)

FORMAÇÃO

O BOM PASTOR

(João 10, 1-18)


    
Eu sou o Bom Pastor!
 
      Escutemos estas palavras como se o próprio Senhor estivesse dizendo a nós neste instante. Palavras que revelam o mais íntimo de seu coração.
Ser Pastor é ter consigo e para si de modo único um rebanho; ovelhas que pertençam de maneira plena ao seu Dono.  Cristo é o Pastor e nós somos suas ovelhas. O sinal que denota nossa pertença a Ele é o nosso batismo. Congregamos em seu Rebanho. É Ele o nosso Pastor supremo que cuida atenciosamente de cada ovelha. Mas este Pastor vem reforçado com o “bom”. Não basta ser pastor há-de ser bom pastor! Bom por que cuida e zela pelo rebanho? Não só. Mas porque ama à medida de doação plena. Bondade e beleza aqui se confundem em Cristo.  Sua beleza está em cativar o seu rebanho, é apresentar-lhes o seu coração misericordioso, torná-lo conhecido inteiramente; revelar-se sem reservas porque ama.

O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas.

      Qual versículo podemos fazer uma ponte com outras palavras do Senhor: - o zelo por vossa casa me consome! Ora, a morada de Deus, seu ‘oicós’ é agora o nosso corpo: - acaso não sabeis que sois Templos do Espírito Santo, Morada de Deus? Assim, este dar a própria vida é zelar com inteireza pelo redil do Senhor; é tomar plenamente parte na vontade de Deus e cuidar que com a própria vida a Casa de Deus seja purificada. O coração do Bom Pastor é purificador! Seu amor pelas ovelhas alcança o zênite na sua voluntária doação. O valor de seu amor se nos torna visível com o seu dar a vida. E por que a vida? A vida é o amor de Deus comunicado a nós e que agora o verdadeiro Pastor vem restituir, uma vez perdido o Paraíso. Tal Pastor dá a sua vida para que n’Ele tenhamos a vida plena.

O mercenário (...) vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge.

      Mercenário é aquele que não tem o rebanho para si, cuida dele apenas em vistas de ser recompensado, à espreita do que lhe darão em troca! O fim de seus ‘cuidados’ não é outro que a própria satisfação. Por isso, quando sente a proximidade do inimigo (lupus), corre e foge, deixando o rebanho à mercê do mal. Atua assim porque nada lhe importa. Seu coração é egoísta e as ovelhas, apenas um peso a mais a carregar. Ele é incapaz de doação sincera e de qualquer sacrifício; vive distante do coração de pastor. Enquanto este abandona-se a si mesmo em favor das ovelhas, o mercenário abandona as ovelhas em favor próprio.

O mercenário não é pastor nem dono das ovelhas.

Duas conseqüências desta realidade merecem tônicas: instrumentalização e negligência. Com relação à primeira afirmamos ser do profundo do seu coração. Trata o rebanho apenas como instrumento que lhe renderá benefícios, grandes recompensas. As ovelhas são meios, quaisquer, para atingir o seu fim.
Por isso, ele não sente as ovelhas próximas; não se envolve com elas, desconsidera-as. É negligente! Para quê cuidar daquilo que não me pertence? Seu coração guarda outros tesouros: o seu próprio bem às custas do negligenciamento pelo rebanho. Prefere zela a si que a Casa do Senhor. O mercenário é aquele que, tendo recebido de Deus a graça despreza-a por não senti-la sua. Não experimenta a posse do que o Senhor lhe concede e, portanto, afasta-se, descuida-se até perdê-la.
     
      ... o lobo as ataca e as dispersa!
           
            O lobo está à espreita aguardando a hora para atacar. Ele é o próprio ‘Divisor’ que lutar para reter a si e fazer perecer o Rebanho do Senhor. Este quando atacado corre e sofre danos profundos. Basta pensar na sede de vitória com a qual se aproxima o predador.  O lobo fere o coração das ovelhas, confunde-as engana-as e as conduz para lugares longínquos do seu. Sua tremenda esperteza o põe de guarda para agir assim que descuidar o mercenário. Este deveras não se importa com o rebanho, deixa-o ao léu. O verdadeiro pastor, que é dono das ovelhas, aproxima-se delas e o preço de resgate é a sua própria vida dada livremente.

Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem.

      O Bom Pastor conhece em profundidade cada qual de suas ovelhas. Porém, também a verdadeira ovelha conhece a voz do seu pastor. E como se conhecem?  A atividade cotidiana e o zelo inconsumível do Pastor possibilitam um real e íntimo encontro de amor. A ovelha se sente amada, experimenta profundamente esta interação com o Pastor e se doa sempre mais a Ele. O conhecimento mútuo é gerado numa cadeia sólida de ternura e cuidados redobrados, frutos de corações que se amam.  A iniciativa é do Pastor que se doa com plenitude ao seu rebanho e trata de conhecer cada um por seu próprio nome. Envolvendo-se, assim, com o profundo do seu ser.

...Assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai.

A relação de Cristo-Pastor e do seu rebanho assemelha-se à sua profunda relação com o seu Pai. Conhecimento intrínseco. Apenas o Filho conhece o Pai em profundidade, porque gerado d’Ele. É a Palavra eterna do Pai pronunciada por todo o sempre a nós.  O Pai e o Filho vivem em real, única, intensa relação amorosa. Troca de conhecimento mútuo, de amor. Pois, somente quem conhece em realidade alguém, de fato, o ama deveras. Modo similar é o Cristo a nós. Ele nos conhece e exige de nós um conhecê-Lo pleno. E tal é adentrar no mistério de seu amor, é suscitar um coração cheio de vontade de pertença a Ele, apenas. Conhecê-Lo é permitir-se invadido e tocado essencialmente por Ele. Conhecê-lo é amá-lo.

      Eu dou minha vida pelas ovelhas.

      Jesus revela o mistério profundo de sua vida, o mistério de seu pastoreio: dar a vida. Não se trata de qualquer vida, senão da Vida que nos é dada por Ele, que voluntariamente se oferece pela salvação do seu rebanho.  Doa-se, entrega-se como o Amado à sua amada. A firmeza de suas palavras assegura e atesta o testemunho de seu amor. Ele é o fiel Esposo que se entrega por sua Amada (Ef 5) e o faz porque a ama. Somente um amor incondicional pode significar tamanha atitude. Amor gerado nas entranhas e lá cultivado até o instante de sua Revelação.  Amor que inicia com a vida e nela, no seu ápice, encontra sentido pleno: Eu dou minha vida pelas ovelhas.

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil, também a elas devo conduzir; elas escutarão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor.

      Cristo é o Pastor universal e não apenas do povo de Israel. Sua missão abrange o cuidado e o zelo por toda ovelha que vive e que pode salvar. Suas palavras serão ouvidas por todos que o escutarão e se deixarão conduzir às belas pastagens do seu eterno redil. Um só rebanho e um só pastor, eis o escopo de sua missão; tornar tudo único em torno do seu coração. Maneiras que seremos penetrados por suas palavras e dirigidos conforme a sua vontade. A universalidade do pastorei de Cristo é a realidade do seu senhorio em nossa vida!

O pai me ama porque dou a minha vida para depois recebê-la novamente.

      A livre vontade do Filho de em tudo realizar a vontade do Pai é o seu esplendor de glória na mais absoluta obediência. O Filho que livremente se oferece ao Pai por nós adquire d’Ele complacência, benquerer, amor eterno. A oferta sacrifical do Filho é motivo de honra e gloria para o Pai, é a máxima eloqüência de amor! O Filho não só dá a vida, mas a retoma no momento oportuno, o tempo da plenitude de sua obra, a restauração do gênero humano.  O intenso amor do Pai e do Filho se constata no livre ofertório de Um e na livre aceitação do Outro. Um é o que se dá, o outro o que recebe.

Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo.

      Livre vontade do Senhor é plena, isto é, despoja-se inteiramente de si e ruma ao calabouço da morte. Que o teria movido tanto assim? Que desejo grande o seu de se entregar por nós que lhe consuma a própria vida? Que liberdade ingente!  O coração do Filho de Deus é todo ofertório, oferenda agradável ao Pai. Somente um amor imenso por nós seria capaz de sublime sacrifício. O Amor é o zênite da ação de Graças! Como filhos de Deus em Cristo Senhor somos convidados a testemunhar em nossa vida este milagre de amor. Fazermos de nossa vida um ícone de amor, tocado e unido indissoluvelmente a Cristo. Com Ele sermos ação de graças ao pai numa vida profunda e intima de encontro com Ele.

Tenho poder de entregar a minha vida e tenho poder de recebê-la

O poder do Senhor é de entrega-doação; poder que atinge os céus e o fere, abrindo-o a todos nós. Do Pai, Ele recebeu todo o poder e pela força de sua entrega todos fomos atingidos por Ele.  Jesus não usa o seu poder para a vanglória e exaltação de si; usa-o para derramar o seu amor e o faz de maneira única e extrema: entregando a própria vida para depois retomá-la.  Nesta dinâmica Ele entrega o dom mais precioso, a vida, para que o obtenhamos e lança aos nossos corações a esperança da eternidade, a certeza duma vida retomada e permanente n’Ele. Participar do poder de Cristo é comungar de sua paixão, morte e ressurreição.

Essa é a ordem que recebi de meu Pai.

      Em outra passagem Jesus afirma: meu alimento é fazer a vontade do Pai! Desta forma, podemos perceber o âmago do coração de Cristo, lá palpita fortemente a vontade do Pai.  Em toda a sua vida levou a cabo o cumprimento fiel desta vontade; recebida do Pai e acolhida em seu interior, Ele a tornou vida ativa. Dar a vida e tomá-la novamente é a ordem do Pai, que Jesus acolhe livremente. Como seus seguidores somos interpelados a fazermos a experiência de deixar-se conduzir pela vontade do Senhor, recebê-la em nosso interior e torná-la viva em nós.  Mesmo quando a vontade do Senhor me exigir a própria vida? É aqui que a experiência chega ao seu ápice! Neste caso, dar a vida é doação, sacrifício, oferta livre de amor e, portanto, abertura à graça d e Deus. Ainda que nos custe compreender e cumprir a vontade de Deus, estejamos conscientes do seu amor e do seu bem querido a nós.

 Seminarista Joanderson
(Diocese de Guarabira-PB, 4º ano de Teologia)

Santos Patronos

Bispo e Doutor da Igreja (1557-1622) - 24 de janeiro.
"O ruído faz pouco bem, o bem faz pouco ruído."

São Francisco de Sales nasceu no castelo da sua família, os barões de Boisy, em Thorens (Sabóia) em 1567, primogênito de treze irmãos, foi educado no Colégio de Clermont, em Paris, estudou em Annecy e em Pádua, na Itália; recebeu o doutoramento em leis com 24 anos. Recusou uma brilhante carreira e resolveu estudar para ser sacerdote apesar da oposição da família. Foi ordenado em 1593, tornando-se reitor em Genebra, Suíça. Após, foi para Chablais, cantão suíço na região da Sabóia, onde foi pároco, e onde trouxe 8.000 calvinistas de volta à Igreja.


Em 1599 Francisco foi indicado como bispo coadjutor em Genebra, tendo sucedido como bispo em 1602. Tornou-se uma figura líder da Reforma Católica também chamada de "Contra-reforma" e ficou famoso pela sua sabedoria e ensinamentos.


Ele e Santa Joana Francisca de Chantal, de quem foi diretor espiritual, criaram a Ordem da Visitação, uma Ordem religiosa contemplativa. Também fundou varias escolas e estabilizou a Igreja na região. Foi também diretor espiritual de São Vicente de Paulo. Faleceu em Lyon em 1622. Os seus restos mortais se encontram na Igreja da Visitação em Annecy. Dois dos seus escritos, "Introdução à Vida Devota" e o "Tratado do Amor de Deus" são considerados clássicos espirituais.

Foi beatificado no ano em que faleceu e foi a primeira beatificação a ser formalizada na Basílica de São Pedro. Foi canonizado em 1655 pelo Papa Alexandre VII e em 1877 foi declarado Doutor da Igreja pelo Papa Pio IX. Foi declarado em 1923, pelo Papa Pio XI, patrono da imprensa católica. O seu dia é celebrado em 24 de janeiro. Dizia Francisco: "Um bispo não deve nem pode viver como um cartuxo; os casados, como os capuchinhos; os artesãos, como os religiosos contemplativos, que passam metade do dia e metade da noite em oração. Seria uma piedade tola e ridícula. Cada um segundo a sua espécie. Deus deseja todos os frutos. A verdadeira piedade não destrói, mas enobrece e embeleza."


Curiosidades

Em 1632, na exumação dos seus restos mortais, o seu corpo encontrava-se em perfeito estado e inclusive com elasticidade nos braços, e ao mesmo tempo uma fragrância doce emanava de seu túmulo.
 São Francisco de Sales aceitou em sua casa um jovem com dificuldade de audição e criou uma linguagem de símbolos para possibilitar a comunicação. Essa obra de caridade conduziu a Igreja a dar-lhe um outro título, ou seja, o de Padroeiro dos de Difícil Audição (surdos).
Segundo Joseph Ratzinger (papa Bento XVI) , Francisco de Sales procurou criar uma forma de piedade acessível aos não piedosos. Neste ponto teria antecipado em parte a espiritualidade de Teresa de Lisieux, a do "pequeno caminho", a de uma vida voltada para Cristo com simplicidade, sem buscar coisas grandes, com paciência e sem heroísmos.

Virgem e Doutora da Igreja (1515-1582) - 15 de outubro.

Teresa de Cepeda e Ahumada nasceu na província de Ávila, Espanha, numa família da baixa nobreza. Seus pais chamavam-se Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz Dávila e Ahumada. Teresa refere-se a eles com muito carinho. Alonso teve três filhos de seu primeiro casamento. Beatriz deu-lhe outros nove.


Aos sete anos, gosta muito de ler histórias dos santos. Seu irmão Rodrigo tinha quase a sua idade, por isto costumavam brincar juntos. As duas crianças viviam pensando na eternidade, admiravam a coragem dos santos na conquista da glória eterna. Achavam que os mártires tinham alcançado a glória muito facilmente e decidiram partir para o país dos mouros com a esperança de morrer pela fé. Assim sendo, fugiram de casa, pedindo a Deus que lhes permitisse dar a vida por Cristo. Em Adaja encontraram um dos tios que os devolveu aos braços da aflita mãe. Quando esta os repreendeu, Rodrigo colocou toda a culpa na irmã. Com o fracasso de seus planos, Teresa e Rodrigo decidiram viver como ermitães na própria casa e construíram uma cela no jardim, sem nunca conseguir terminá-la. Desde então, Teresa amava a solidão.


A mãe de Teresa faleceu quando esta tinha quatorze anos: "Quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha". Quando completou quinze anos, o pai levou-a a estudar no Convento das Agostinianas de Ávila, para onde iam as jovens de sua classe social. Um ano e meio mais tarde, Teresa adoeceu e seu pai a levou para casa. A jovem começou a pensar seriamente na vida religiosa que a atraia por um lado e a repugnava por outro. O que a ajudou na decisão foi a leitura das "Cartas" de São Jerônimo, cujo fervoroso realismo encontrou eco na alma de Teresa. A jovem comunica ao pai que desejava tornar-se religiosa, mas este pediu-lhe para esperar que ele morresse para ingressar no convento. No entanto, em uma madrugada, com 20 anos, a santa fugiu para o convento Carmelita da Encarnação, em Ávila, com a intenção de não voltar para casa.

Teresa ficou no convento da Encarnação. Tinha 20 anos. Seu pai, ao vê-la tão decidida, deixou de opor-se à sua vocação. Um ano depois fez a profissão dos votos. Pouco depois, piorou de uma enfermidade que começara a molestá-la antes de professar. Seu pai a retirou do convento. A irmã Joana Suárez acompanhou Teresa para ajudá-la. Os médicos, apesar de todos os tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade, provavelmente impaludismo, se agravou. Teresa conseguiu suportar aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro: "O terceiro alfabeto espiritual", do Padre Francisco de Osuna. Teresa seguiu as instruções da pequena obra e começou a praticar a oração mental. Finalmente, após três anos, ela recuperou a saúde e retornou ao Carmelo.


Sua prudência, amabilidade e caridade conquistavam a todos. Segundo o costume dos conventos espanhóis da época, as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora. Teresa passava grande parte de seu tempo conversando no locutório. Isto a levou a descuidar-se da oração mental. Vivia desculpando-se dizendo que suas enfermidades a impediam de meditar.

Pouco depois da morte de seu pai, o confessor de Teresa fê-la ver o perigo em que se achava sua alma e aconselhou-a a voltar à prática da oração. Desde então, a santa jamais a abandonou. No entanto, ainda não se decidira a entregar-se totalmente a Deus nem a renunciar totalmente às horas que passava no locutório trocando conversas e presentes com os visitantes. Curioso notar que, em todos estes anos de indecisão no serviço de Deus, Santa Teresa jamais se cansava de prestar atenção aos sermões, "por piores que fossem".


Cada vez mais convencida de sua indignidade, Teresa invocava com freqüência os grandes santos penitentes, Santo Agostinho e Santa Maria Madalena, aos quais estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa. O primeiro foi a leitura das "Confissões" de Santo Agostinho. O segundo foi um chamamento à penitência que ela experimentou diante de um quadro da Paixão do Senhor: "Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro... e desde então muito progredi na vida espiritual". Sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensangüentado na agonia. Certa ocasião, ao deter-se sob um crucifixo muito ensangüentado, perguntou: "Senhor, quem vos colocou aí?" Pareceu-lhe ouvir uma voz: "Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa". Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e nas amizades que não a levavam à santidade
.

As Carmelitas, como a maioria das religiosas, desde os princípios do século XVI, já haviam perdido o primeiro fervor. Já vimos que os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros de toda a cidade. As religiosas saíam da clausura pelo menor pretexto. Os conventos eram lugares ideais para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram muito numerosas. O Convento da Encarnação possuía 140 religiosas.


Já que esta situação era aceita como normal, as religiosas não se davam conta de que seu modo de vida estava muito distante do espírito de seus fundadores. Assim, quando uma sobrinha de Santa Teresa, também religiosa no convento da Encarnação, deu-lhe a idéia de fundar uma comunidade reduzida. A Santa, que já estava há 25 anos naquele convento, resolveu colocar em prática o plano de fundar um convento reformado.


São Pedro de Alcântara, São Luís Beltrán e o bispo de Ávila, aprovaram o projeto. O provincial dos Carmelitas, Pe. Gregório Fernández, autorizou Teresa a colocar seu plano em prática. Contudo, a execução do projeto causou muitos comentários e o provincial retirou a permissão. Santa Teresa foi criticada pelos nobres, pelos magistrados, pelo povo e até por suas próprias irmãs. Apesar disso tudo, o dominicano Pe. Ibañez, incentivou Teresa a prosseguir seu projeto.


São Pedro de Alcântara, Dom Francisco de Salcedo e o Pe. Gaspar Daza, conseguiram que o bispo tomasse a causa da fundação do novo convento para si. Eis que chega de Roma a autorização para se criar a nova casa religiosa, o que ocorreu no dia de São Bartolomeu, em 1562. Durante a missa receberam o véu a sobrinha da santa e outras três noviças.


A inauguração causou grande reboliço em Ávila. Nesta mesma tarde, a superiora do convento da Encarnação mandou chamar Teresa e a santa a procurou com certo temor, pensando que iam encarcerá-la. Teve que explicar sua conduta à superiora e ao Pe. Angel de Salazar, provincial da Ordem. A Santa reconhece que não faltava razão a seus superiores por estarem desgostosos. Mesmo assim, o Pe. Salazar lhe prometeu que ela poderia retornar ao convento de São José logo que se acalmassem os ânimos da população.


A fundação não era bem vista em Ávila, porque as pessoas desconfiavam das novidades e temiam que um convento sem recursos se transformasse em um peso para a cidade. O prefeito e os magistrados teriam mandado demolir o convento, se não tivessem sido dissuadidos pelo dominicano Bañez. Santa Teresa não perdeu a paz em meio às perseguições e prosseguiu colocando a obra nas mãos de Deus.

Francisco de Salcedo e outros partidários à fundação enviaram à corte um sacerdote que defendesse a causa diante do rei. Os dois dominicanos Báñez e Ibáñez acalmaram o bispo e o provincial. Pouco a pouco a tempestade foi-se acalmando. Quatro meses depois, o Pe. Salazar permitiu que Santa Teresa e suas quatro religiosas retornassem ao convento de São José.


Teresa estabeleceu em seu convento a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. A comunidade vivia na maior pobreza. As religiosas vestiam hábitos toscos, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas "descalças") e eram obrigadas a abstinência perpétua de carne. A fundadora, a princípio, não aceitou comunidades com mais de treze religiosas. Mais tarde, nos conventos que possuiam alguma renda, aceitou que residissem vinte monjas.


A grande mística Teresa não descuidava das coisas práticas. Sabia utilizar as coisas materiais para o serviço de Deus. Certa ocasião disse: "Teresa sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma fortaleza; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência".


Encontrou certo dia em Medina del Campo dois frades carmelitas que estavam dispostos a abraçar a Reforma: Antonio de Jesús de Heredia, superior, e Juan de Yepes, que seria o futuro São João da Cruz.


Aproveitando a primeira oportunidade, ela fundou um conventinho de frades em Duruelo em 1568. Em 1569 fundou o de Pastrana. Em ambos reinava a maior pobreza e austeridade. Santa Teresa deixou o resto das fundações de conventos de frades a cargo de São João da Cruz. Depois de muitas lutas, incompreensões e perseguições, obteve de Roma uma ordem que eximia os Carmelitas Descalços da jurisdição do Provincial dos Calçados.


Em 1580, quando estabeleceu-se a separação entre os dois ramos do Carmelo, Santa Teresa tinha 65 anos e sua saúde estava muito debilitada. Nos últimos anos de sua vida fundou outros dois conventos. As fundações da Santa não eram simplesmente um refúgio das almas contemplativas, mas também uma espécie de reparação pelos destroços causados nos mosteiros pelo protestantismo, principalmente na Inglaterra e na Alemanha.


Na fundação do convento de Burgos, que foi a última, as dificuldades não diminuiram. Em julho de 1582, quando o convento já ia com suas obras adiantadas, Santa Teresa tinha intenção de retornar a Ávila, mas viu-se forçada a mudar seus planos para ir a Alba de Tormes visitar a duquesa Maria Henríquez. A Beata Ana de São Bartolomeu afirmou que a viagem não estava bem programada e que a Santa estava tão fraca que desmaiou no caminho. Certa noite só puderam comer alguns figos. Chegando a Alba, Teresa teve que deitar-se imediatamente. Três dias depois, disse à Beata Ana de São Bartolomeu: "Finalmente, minha filha, chegou a hora de minha morte". O Pe. Antonio de Heredia ministrou-lhe os últimos sacramentos. Quando o mesmo padre levou-lhe o viático, a Santa conseguiu erguer-se do leito e exclamou: "Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!" Ela morreu às 9 horas da noite de 4 de outubro de 1582. Exatamente no dia seguinte efectuou-se a Mudança para o calendário gregoriano, que suprimiu dez dias, de modo que a festa da santa foi fixada, mais tarde, para o dia 15 de outubro. Foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam suas relíquias.


Teresa é uma das maiores personalidades da mística católica de todos os tempos. Suas obras, especialmente as mais conhecidas (Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações), contém uma doutrina que abraça toda a vida da alma, desde os primeiros passos até à intimidade com Deus no centro do Castelo Interior. Suas cartas no-la mostram absorvida com os problemas mais triviais. Sua doutrina sobre a união da alma com Deus é bem firmada na trilha da espiritualidade carmelita, que ela tão notavelmente soube enriquecer e transmitir, não apenas a seus irmãos, filhos e filhas espirituais, mas à toda Igreja, à qual serviu fiel e generosamente. Ao morrer sua alegria foi poder afirmar: "Morro como filha da Igreja".


Foi canonizada em 1622. No dia 27 de setembro de 1970, o papa Paulo VI conferiu-lhe o título de Doutora da Igreja.


Santa Teresa de Ávila é considerada um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso.