Apresentação

Apresentação

O Espírito Santo insufla a cada dia no coração de homens e mulheres o desejo pela santidade. Várias são as formas de corresponder a estas inspirações. Uns pelo caminho da contemplação, outros pelo caminho da ação, outros enfim, pelos caminhos da orientação e formação humano-espiritual do coração humano. No entanto, todas as vias são a busca de uma resposta ao chamado de Cristo, que diz: “Vem e segue-me”.

Assim, a santidade consiste numa resposta de amor à “Aquele que nos amou por primeiro” (I Jo. 4, 10).

Finalidade

Este blog tem com meta manter um grupo de Amigos espirituais unidos num só coração e numa só alma, amando, conquistando e apascentando o coração ferido dos jovens e de todos os homens.

sábado, 4 de dezembro de 2010

FORMAÇÃO

O BOM PASTOR

(João 10, 1-18)


    
Eu sou o Bom Pastor!
 
      Escutemos estas palavras como se o próprio Senhor estivesse dizendo a nós neste instante. Palavras que revelam o mais íntimo de seu coração.
Ser Pastor é ter consigo e para si de modo único um rebanho; ovelhas que pertençam de maneira plena ao seu Dono.  Cristo é o Pastor e nós somos suas ovelhas. O sinal que denota nossa pertença a Ele é o nosso batismo. Congregamos em seu Rebanho. É Ele o nosso Pastor supremo que cuida atenciosamente de cada ovelha. Mas este Pastor vem reforçado com o “bom”. Não basta ser pastor há-de ser bom pastor! Bom por que cuida e zela pelo rebanho? Não só. Mas porque ama à medida de doação plena. Bondade e beleza aqui se confundem em Cristo.  Sua beleza está em cativar o seu rebanho, é apresentar-lhes o seu coração misericordioso, torná-lo conhecido inteiramente; revelar-se sem reservas porque ama.

O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas.

      Qual versículo podemos fazer uma ponte com outras palavras do Senhor: - o zelo por vossa casa me consome! Ora, a morada de Deus, seu ‘oicós’ é agora o nosso corpo: - acaso não sabeis que sois Templos do Espírito Santo, Morada de Deus? Assim, este dar a própria vida é zelar com inteireza pelo redil do Senhor; é tomar plenamente parte na vontade de Deus e cuidar que com a própria vida a Casa de Deus seja purificada. O coração do Bom Pastor é purificador! Seu amor pelas ovelhas alcança o zênite na sua voluntária doação. O valor de seu amor se nos torna visível com o seu dar a vida. E por que a vida? A vida é o amor de Deus comunicado a nós e que agora o verdadeiro Pastor vem restituir, uma vez perdido o Paraíso. Tal Pastor dá a sua vida para que n’Ele tenhamos a vida plena.

O mercenário (...) vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge.

      Mercenário é aquele que não tem o rebanho para si, cuida dele apenas em vistas de ser recompensado, à espreita do que lhe darão em troca! O fim de seus ‘cuidados’ não é outro que a própria satisfação. Por isso, quando sente a proximidade do inimigo (lupus), corre e foge, deixando o rebanho à mercê do mal. Atua assim porque nada lhe importa. Seu coração é egoísta e as ovelhas, apenas um peso a mais a carregar. Ele é incapaz de doação sincera e de qualquer sacrifício; vive distante do coração de pastor. Enquanto este abandona-se a si mesmo em favor das ovelhas, o mercenário abandona as ovelhas em favor próprio.

O mercenário não é pastor nem dono das ovelhas.

Duas conseqüências desta realidade merecem tônicas: instrumentalização e negligência. Com relação à primeira afirmamos ser do profundo do seu coração. Trata o rebanho apenas como instrumento que lhe renderá benefícios, grandes recompensas. As ovelhas são meios, quaisquer, para atingir o seu fim.
Por isso, ele não sente as ovelhas próximas; não se envolve com elas, desconsidera-as. É negligente! Para quê cuidar daquilo que não me pertence? Seu coração guarda outros tesouros: o seu próprio bem às custas do negligenciamento pelo rebanho. Prefere zela a si que a Casa do Senhor. O mercenário é aquele que, tendo recebido de Deus a graça despreza-a por não senti-la sua. Não experimenta a posse do que o Senhor lhe concede e, portanto, afasta-se, descuida-se até perdê-la.
     
      ... o lobo as ataca e as dispersa!
           
            O lobo está à espreita aguardando a hora para atacar. Ele é o próprio ‘Divisor’ que lutar para reter a si e fazer perecer o Rebanho do Senhor. Este quando atacado corre e sofre danos profundos. Basta pensar na sede de vitória com a qual se aproxima o predador.  O lobo fere o coração das ovelhas, confunde-as engana-as e as conduz para lugares longínquos do seu. Sua tremenda esperteza o põe de guarda para agir assim que descuidar o mercenário. Este deveras não se importa com o rebanho, deixa-o ao léu. O verdadeiro pastor, que é dono das ovelhas, aproxima-se delas e o preço de resgate é a sua própria vida dada livremente.

Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem.

      O Bom Pastor conhece em profundidade cada qual de suas ovelhas. Porém, também a verdadeira ovelha conhece a voz do seu pastor. E como se conhecem?  A atividade cotidiana e o zelo inconsumível do Pastor possibilitam um real e íntimo encontro de amor. A ovelha se sente amada, experimenta profundamente esta interação com o Pastor e se doa sempre mais a Ele. O conhecimento mútuo é gerado numa cadeia sólida de ternura e cuidados redobrados, frutos de corações que se amam.  A iniciativa é do Pastor que se doa com plenitude ao seu rebanho e trata de conhecer cada um por seu próprio nome. Envolvendo-se, assim, com o profundo do seu ser.

...Assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai.

A relação de Cristo-Pastor e do seu rebanho assemelha-se à sua profunda relação com o seu Pai. Conhecimento intrínseco. Apenas o Filho conhece o Pai em profundidade, porque gerado d’Ele. É a Palavra eterna do Pai pronunciada por todo o sempre a nós.  O Pai e o Filho vivem em real, única, intensa relação amorosa. Troca de conhecimento mútuo, de amor. Pois, somente quem conhece em realidade alguém, de fato, o ama deveras. Modo similar é o Cristo a nós. Ele nos conhece e exige de nós um conhecê-Lo pleno. E tal é adentrar no mistério de seu amor, é suscitar um coração cheio de vontade de pertença a Ele, apenas. Conhecê-Lo é permitir-se invadido e tocado essencialmente por Ele. Conhecê-lo é amá-lo.

      Eu dou minha vida pelas ovelhas.

      Jesus revela o mistério profundo de sua vida, o mistério de seu pastoreio: dar a vida. Não se trata de qualquer vida, senão da Vida que nos é dada por Ele, que voluntariamente se oferece pela salvação do seu rebanho.  Doa-se, entrega-se como o Amado à sua amada. A firmeza de suas palavras assegura e atesta o testemunho de seu amor. Ele é o fiel Esposo que se entrega por sua Amada (Ef 5) e o faz porque a ama. Somente um amor incondicional pode significar tamanha atitude. Amor gerado nas entranhas e lá cultivado até o instante de sua Revelação.  Amor que inicia com a vida e nela, no seu ápice, encontra sentido pleno: Eu dou minha vida pelas ovelhas.

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil, também a elas devo conduzir; elas escutarão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor.

      Cristo é o Pastor universal e não apenas do povo de Israel. Sua missão abrange o cuidado e o zelo por toda ovelha que vive e que pode salvar. Suas palavras serão ouvidas por todos que o escutarão e se deixarão conduzir às belas pastagens do seu eterno redil. Um só rebanho e um só pastor, eis o escopo de sua missão; tornar tudo único em torno do seu coração. Maneiras que seremos penetrados por suas palavras e dirigidos conforme a sua vontade. A universalidade do pastorei de Cristo é a realidade do seu senhorio em nossa vida!

O pai me ama porque dou a minha vida para depois recebê-la novamente.

      A livre vontade do Filho de em tudo realizar a vontade do Pai é o seu esplendor de glória na mais absoluta obediência. O Filho que livremente se oferece ao Pai por nós adquire d’Ele complacência, benquerer, amor eterno. A oferta sacrifical do Filho é motivo de honra e gloria para o Pai, é a máxima eloqüência de amor! O Filho não só dá a vida, mas a retoma no momento oportuno, o tempo da plenitude de sua obra, a restauração do gênero humano.  O intenso amor do Pai e do Filho se constata no livre ofertório de Um e na livre aceitação do Outro. Um é o que se dá, o outro o que recebe.

Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo.

      Livre vontade do Senhor é plena, isto é, despoja-se inteiramente de si e ruma ao calabouço da morte. Que o teria movido tanto assim? Que desejo grande o seu de se entregar por nós que lhe consuma a própria vida? Que liberdade ingente!  O coração do Filho de Deus é todo ofertório, oferenda agradável ao Pai. Somente um amor imenso por nós seria capaz de sublime sacrifício. O Amor é o zênite da ação de Graças! Como filhos de Deus em Cristo Senhor somos convidados a testemunhar em nossa vida este milagre de amor. Fazermos de nossa vida um ícone de amor, tocado e unido indissoluvelmente a Cristo. Com Ele sermos ação de graças ao pai numa vida profunda e intima de encontro com Ele.

Tenho poder de entregar a minha vida e tenho poder de recebê-la

O poder do Senhor é de entrega-doação; poder que atinge os céus e o fere, abrindo-o a todos nós. Do Pai, Ele recebeu todo o poder e pela força de sua entrega todos fomos atingidos por Ele.  Jesus não usa o seu poder para a vanglória e exaltação de si; usa-o para derramar o seu amor e o faz de maneira única e extrema: entregando a própria vida para depois retomá-la.  Nesta dinâmica Ele entrega o dom mais precioso, a vida, para que o obtenhamos e lança aos nossos corações a esperança da eternidade, a certeza duma vida retomada e permanente n’Ele. Participar do poder de Cristo é comungar de sua paixão, morte e ressurreição.

Essa é a ordem que recebi de meu Pai.

      Em outra passagem Jesus afirma: meu alimento é fazer a vontade do Pai! Desta forma, podemos perceber o âmago do coração de Cristo, lá palpita fortemente a vontade do Pai.  Em toda a sua vida levou a cabo o cumprimento fiel desta vontade; recebida do Pai e acolhida em seu interior, Ele a tornou vida ativa. Dar a vida e tomá-la novamente é a ordem do Pai, que Jesus acolhe livremente. Como seus seguidores somos interpelados a fazermos a experiência de deixar-se conduzir pela vontade do Senhor, recebê-la em nosso interior e torná-la viva em nós.  Mesmo quando a vontade do Senhor me exigir a própria vida? É aqui que a experiência chega ao seu ápice! Neste caso, dar a vida é doação, sacrifício, oferta livre de amor e, portanto, abertura à graça d e Deus. Ainda que nos custe compreender e cumprir a vontade de Deus, estejamos conscientes do seu amor e do seu bem querido a nós.

 Seminarista Joanderson
(Diocese de Guarabira-PB, 4º ano de Teologia)

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